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“Estou convencido de que Cathy Ames nasceu com as tendências - ou com a ausência - que a conduziram compulsivamente por toda a sua vida. Alguma engrenagem do equilíbrio estava defeituosa, algo estava fora do lugar. Não era como as outras pessoas, nunca foi, desde o nascimento”. Assim, John Steinbeck introduz Cathy Ames na trama de “A Leste do Éden”. O livro, publicado em 1952, mescla referências autobiográficas a temas pesquisados em jornais, e retrata o Vale de Salinas, onde o autor nasceu. O “leste do Éden” é o local onde Caim, filho de Adão e Eva, refugia-se após matar seu irmão, e a história bíblica ganha uma nova interpretação a partir da visão de Steinbeck. Nesse contexto, Cathy Ames representaria Eva, a mulher que introduz o pecado no Paraíso. “Como se a natureza quisesse ocultar uma armadilha, Cathy teve desde o início um rosto inocente”. Grandes olhos cor de avelã, cabelos dourados, rosto delicado, lábios pequenos e perfeitos. O corpo conservou a fragilidade de menina, mesmo depois de crescida: seios pequenos, quadris estreitos, pés e mãos delicados. Um retrato de delicadeza e beleza que ofusca Adam Trask, seu futuro marido. O que faltava a Cathy Ames e que a conduziu por toda a vida? Anos depois de abandonado, Adam consegue identificar a “falha de caráter” que move Cathy: “Sei o que você odeia, Cathy. Odeia alguma coisa neles que não pode compreender. Não odeia o mal que há neles. Odeia o bem neles, pois não pode alcançá-lo.” Cathy Ames é, assim, o contraponto à personalidade de Adam Trask. Enquanto ele representa a bondade irrestrita, que o impede de ver o mal ainda que evidente, Cathy é incapaz de enxergar o bem, porque não o possui em si mesma. Fiel ao texto bíblico, Steinbeck faz com que Cathy seja responsável pela “expulsão” de Adam do paraíso que ele tencionava criar no Vale de Salinas. Mas, mais do que isso, suas atitudes corrompem tudo aquilo em que participa:
Cathy Ames é uma malvada exemplar, já que não há um propósito aparente em suas ações. Como afirma Steinbeck: “O problema é que não sabíamos o que ela queria e por isso nunca saberemos se conseguiu ou não.” Referida como uma das maiores vilãs da literatura americana, Cathy Ames foi interpretada no cinema por Jo Van Fleet, no clássico East of Eden (Vidas Amargas), dirigido por Elia Kazan e estrelado por James Dean, no papel de Caleb, um dos filhos de Adam e Cathy. Talvez por concentrar-se nos conflitos de Caleb consigo mesmo e com Aron, o filme não faz justiça a essa grande personagem: Cathy é uma figura pálida perto da complexidade retratada por Steinbeck. Onde encontrar Cathy Ames: A
leste do Éden Vidas Amargas - 1955 (Direção: Elia Kazan - Elenco: Julie Harris, James Dean, Raymond Massey, Burl Ives, Dick Davalos, Jo Van Fleet, Albert Dekker) |