Ana Jansen Pereira

Desconhecida da maioria dos brasileiros, Ana Jansen Pereira é uma importante figura da história maranhense.

Nascida no século XVIII, Donanna Jansen, como era conhecida, não media esforços para atingir seus objetivos. Inteligente, voluntariosa, influente, destemida, cruel, mandona. Adjetivos não faltam para descrever a forte personalidade da mulher que continua "assombrando" as ruas de São Luis do Maranhão até os dias de hoje.

Ana viveu durante o reinado de D. Pedro II e marcou presença no cenário sócio-econômico da época. Nasceu rica, ficou na miséria e recuperou sua fortuna com obstinação, transformando-se em lider do Partido Liberal.

Casou-se duas vezes com homens poderosos (e ficou viúva duas vezes). Entretanto, nunca fez questão de esconder seus casos amorosos que lhe deram muitos filhos. Levava sua vida sem se importar com a opinião da sociedade local, o que não era um fato corriqueiro naquela época.

Foi uma importante comerciante e chegou a ter um exército particular que defendia seus interesses, formado por 400 escravos. Era dona de todos os comboios de distribuição de água da época e são conhecidas suas ações vingativas contra a Companhia de Distribuição de Águas, que se instalava na cidade, na época, para distribuir água em chafarizes. Documentos mostram que ela colocava gatos em putrefação, dentro dos chafarizes, com o objetivo de causar indignação na população, o que ainda permitiu que ela comandasse a distribuição de águas durante 15 anos.

Ana Jansen nunca hesitou em "acertar contas" com seus desafetos, sendo conhecida como uma adversária (ou seria inimiga?) implacável. Entretanto, suas maiores vítimas foram os escravos. Aquele que ousasse desobedecê-la tinha a morte garantida. Dizem que uma de suas escravas tinha dentes muito bonitos e um dia ousou sorrir para Donanna. Ela mandou arrancar (sem anestesia) todos os dentes da escrava que acabou morrendo de hemorragia e sendo jogada num poço localizado na fazenda. Nesse local, estudos posteriores mostraram, foram encontrados os cadáveres de mais de 100 escravos.

Tanta maldade fez com que uma das mais famosas lendas de São Luis do Maranhão continuasse viva quase 120 anos após sua morte. Segundo consta, após sua morte ela foi condenada a pagar por seus pecados e, nas noites de 5ª para 6ª feira, Ana Jansen deixa o cemitério do Gavião em sua carruagem encantada, puxada por cavalos sem-cabeça, e conduzida por um escravo (também decaptado) com o corpo todo ensangüentado. Aqueles que cruzam seu caminho recebem uma vela acesa das mãos de Ana que, no dia seguinte, se transforma num osso de defunto. Dizem que ao ouvir o barulho das ferragens e dos cascos pelas ruas, não existe quem não procure abrigo seguro evitando, assim, ser "agraciado" com o terrível presente.

Por tudo aquilo que representa para a história nacional e, principalmente, por servir como inspiração para as mulheres (principalmente no quesito "não se importar com a opinião alheia") - muito mais que por sua maldade/crueldade - Ana Jansen conquistou seu espaço no Malvadas.