Elizabeth Bathory

Elizabeth Bathory nasceu em 1560, na antiga fronteira entre Romênia e Hungria. Sua família era uma das mais ricas e poderosas da região. Um de seus primos, por exemplo, tornou-se príncipe da Transilvânia e mais tarde rei da Polônia, sendo um dos mais competentes regentes da época. Mas a família também tinha um lado não tão nobre. Um de seus tios, supostamente era adepto de rituais satânicos, uma tia (Klara Bathory) era conhecida na região por torturar seus criados e um de seus irmãos era famoso pelo alcoolismo e pela libertinagem.

Dizia-se que Elizabeth era uma das mais belas jovens da região. Seu comportamento, entretanto, sempre foi sangüinario. Ela cresceu no castelo de Ecsed, na Transilvânia, e sua infância foi marcada por doenças, rancor e um comportamento incontrolável. Algumas lendas tentam explicar suas atitudes.

Nenhuma delas, entretanto, foi comprovada.

A primeira diz que na sua infância um grupo de ciganos foi chamado ao castelo para divertir a corte e que um deles foi acusado de vender crianças. Levado a julgamento ele foi condenado a morte que foi assistida por Elizabeth, marcando-a para sempre.

Outra conta que quando a garota tinha nove anos, um grupo atacou o castelo destruindo-o e torturando seus habitantes. teria conseguido fugir mas suas irmãs e amas foram violentadas e mortas, fato que ela teria assistido. Mais tarde, quando encontrou o caminho para casa, ela acabou assistindo a punição dos invasores que haviam sido pegos: sentar-se à mesa e comer a carne cozida de seu líder.

Elizabeth era extremamente inteligente e bem educada. Era fluente em húngaro, latim e alemão. Aos 14 anos engravidou após um breve romance com um camponês e como estava noiva do Conde Ferenc Nadasdy, permanceu escondida até o nascimento da criança.

Casou-se aos 15 anos com o Conde Nadasdy, que ficava grande parte do tempo longe de casa em virtude de ser um soldado. Nesses períodos, quem cuidava dos assuntos do Castelo de Sarvar, onde moravam, era Elizabeth. Foi aí que teve início sua "cruel carreira", com o disciplinamento dos empregados.

Naquele tempo, as atrocidades e crueldades com os empregados eram comuns. A nobreza "podia tudo" sem ser julgada por seus atos. Elizabeth tornou-se especialista em torturar seus criados. Bater neles era o menor de seus castigos. Ela também enfiava, freqüentemente, pinos em várias partes de seu corpo, como debaixo das unhas, por exemplo.
No inverno, levava suas vítimas para fora de casa e fazia com que caminhassem nuas na neve. A seguir, despejava água geladas nelas, fazendo com que congelassem.

Seu marido não só apoiava como juntava-se a ela nesses atos, muitas vezes ensinando-lhes novas formas de tortura. A variação para o verão, do congelamento, consistia em despir a garota, jogar-lhe mel e deixa-la a mercê dos insetos.
Ferenc, aliás, tornou-se um famoso herói de guerra, fazendo parte do grupo conhecido como "quinteto profano" que aterrorizou os turcos. Seu apelido, era "Cavaleiro Negro da Hungria". Nos períodos em que ele estava ausente, entretanto, Elizabeth era assídua freqüentadora das orgias promovidas por sua tia Klara, bissexual assumida, sempre com a presença de muitas jovens.

Em 1604, Ferenc morre. O luto de Elizabeth não dura muito tempo (apenas 4 semanas) e logo ela já fazia aparições na corte. O período que se seguiu foi o mais sangüinário de sua vida.

Após a morte do marido, Elizabeth juntou-se a Anna Darvulia para concretizar seus crimes. Com a doença desta, sua companhia passou a ser Erzi Majorova que acabou levando Bathory à ruína ao incluir jovens nobres entre suas vítimas. As duas, entretanto, não atuavam sozinhas.

Contavam com a participação de um servo chamado Ficzko, Helena Jo, Dorothea Szentos, a ama de seus filhos, e Katarina Beneczky, uma lavadeira.Mais ou menos nessa época surge a lenda de que Elizabeth banhava-se em sangue para manter sua juventude. Para esse fato, existem duas explicações:

  • Uma diz que ela estava sendo penteada por uma de suas criadas, um dia, quando a garota puxou seus cabelos acidentalmente. Elizabeth virou-se e espancou-a. O sangue respingou em sua mão e ao esfregá-las ela sentiu que pareciam tornar-se joviais.
  • Outra diz que ao passear com um de seus amantes mais jovens, Elizabeth deparou-se com uma velha e perguntou ao jovem o que ele faria se tivesse que beijar a tal "bruxa velha". Ele teria respondido com desdém e a senhora ouvindo, disse que tal aparência era inevitável.

Em 1610, o número de vítimas tinha crescido tanto que começou a gerar desconfianças em torno de Bathory e seus cumplices. Entretanto, a principal investigação envolvendo seu nome era de cunho político: ela não teria pago os altos empréstimos feitos por seu marido para cobrir os gastos com as guerras.
Elizabeth foi presa, julgada e condenada a ficar confinada em um dos aposentos de seu castelo até o dia de sua morte. A principal prova contra ela, além de vários testemunhos, foi uma lista, feita por ela mesma, da qual constavam 650 nomes de vítimas.
Seus cumplices também foram julgados e receberam as seguintes penas:

  • Helena Jo e Dorothea Szentes: tiveram seus dedos arrancados em público, por uma pinça incandescente e seus corpos foram atirados com vida numa fogueira.
  • Ficzko: foi decapitado e seu corpo jogado ao fogo.
  • Katharina Beneczky: escapou à sentença de morte.
  • Erzsi Majorova: executada.

Bathory morreu em Agosto do ano de 1614, aos 54 anos. Seu corpo deveria ter sido enterrado na igreja da cidade de Csjethe, mas a idéia repugnava os habitantes locais. Assim, ela foi sepultada nas terras dos Bathory, em Ecsede.
A vida de Elizabeth Bathory já foi tema de muitos estudos, filmes e livros. Seu nome foi ligado ao vampirismo e aos lobisomens durante muito tempo (pelos banhos de sangue e porque ela mordeu suas vítimas em várias ocasiões). Raymond T. McNally (biógrafo de Bathory) aponta uma série de ligações entre a vida da condessa e Drácula. Segundo ele, Bram Stocker tomou conhecimento de sua vida através de um livro sobre lobisomens, lançado em 1865, que trazia o primeiro grande relato sobre a condessa. Um exemplo, seria o fato de Drácula ir ficando mais novo com o passar do tempo, no livro, numa alusão clara aos supostos banhos de sangue que Elizabeth tomava para preservar sua juventude.

Alguns lugares para você conhecer um pouco mais sobre Elizabeth Bathory
Livros
O Livro dos Vampiros - A Enciclopédia dos Mortos-Vivos
Melton, J. Gordon / Makron Books
Sites

http://www.sobrenatural.org/Site/Personagens/Elysabeth_bathory/Introducao.asp

http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/misterios/bathory.htm
Ilustração do castelo de Bathory e ruínas do suposto castelo