Maria I (Bloody Mary)

Maria I, de Inglaterra, foi a quinta filha do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão e a única a chegar adulta. Entretanto, sua chegada ao trono não foi nada fácil. Henrique casou-se várias vezes pois queria um herdeiro homem para o trono. Assim, de primeira na linha de sucessão, Maria foi colocada de lado várias vezes.

Chegou a ser considerada filha ilegítima e transformada em aia de uma de suas irmãs, com a anulação do casamento de seus pais, conseguida graças às artimanhas de Henrique VIII que rompeu com o Vaticano e, conseqüentemente, a Igreja Católica para atingir seus objetivos.

Foi uma criança frágil, tinha uma péssima visão e sofria de enxaquecas. Entretanto, também foi uma criança precoce. Aprendeu latim, castelhano, francês, grego, ciências, teologia e música, sendo que aos quatro anos tocava harpa tão bem que era capaz de entreter qualquer platéia.

Seu casamento foi tratado desde muito cedo, de acordo com as pretensões políticas de seu pai e vários foram os pretendentes, dentre os quais estavam Francisco I e seu herdeiro Francisco - Duque da Bretanha, seu irmão mais novo e futuro Henrique II, e o imperador do Sacro-Império, Carlos V.

Maria chegou ao trono em 1553, após a morte de seu meio-irmão Eduardo VI, tendo que travar uma verdadeira batalha. Seu irmão deixara um testamento excluindo Maria e sua irmã Isabel da sucessão e privilegiando Joana Grey, bisneta de Henriqe VII. Isso, entretanto, contrariava o Ato de Sucessão de 1544, que havia determinado que a substituta de Eduardo, caso este não deixasse descendentes, deveria ser Maria. Joana foi proclamada rainha mas, nove dias depois, o Parlamento revogou o testamento de Eduardo VI.

Declarada Rainha da Inglaterra e da Irlanda, Maria chegou a Londres, com sua irmã Isabel, aclamada pelo povo que considerava injusta a forma como ela havia sido tratada após o fim do casamento de seus pais. Começava aí sua vingança contra todos aqueles que, de alguma forma, tinham lhe causado algum tipo de mal ou atrapalhado seu caminho ao trono.

Seu primeiro alvo foi o Duque de Northumberland, mentor do golpe que tentou impedir sua ascensão ao trono. Ele foi executado e todos os membros do conselho real que eram seus aliados foram afastados.

A seguir, Joana Grey, seu pai, o Duque de Suffolk, e seu marido Guilford Dudley foram presos (mas liberados após um breve período de tempo).

Seus atos, entretanto, não pararam por aí. Maria revalidou o casamento de seus pais repondo, assim, sua legitimidade. Depois, saiu a procura de um marido e, mesmo indo contra o Parlamento e seus principais conselheiros, casou-se com o Príncipe Filipe, da Espanha, iniciando uma onda de protestos populares, pois havia o temor que a Inglaterra perde-se sua independência para a Espanha.

Nesse ponto, o Duque de Suffolk resolve intervir aliciando Isabel com a coroa, suportado pela revolta popular de Thomas Wyatt. Sem sucesso, o Duque, Wyatt e Joana Grey (que dessa vez nada tinha com a história) foram executados.

Isabel também sofreu as conseqüências do ato e foi presa na Torre de Londres. Filipe queria sua execução mas Maria apenas expulsou-a de Londres, sob prisão domiciliar.

O casamento de Maria e Filipe colocou um ponto final no apoio popular à rainha. Ela, entretanto, estava feliz e apaixonada pelo marido (que pouco tempo depois retornou à Espanha, com um falso pretexto).

Depois disso, Maria dedicou-se ao seu projeto pessoal de reconciliação com o Vaticano e tornar o catolicismo novamente a religião oficial do país.

Nomeou Reginald Pole, cardeal católico, para seu conselheiro e Arcebispo da Cantuária e juntos aboliram as reformas religiosas realizadas por Eduardo VI e deram início a um período de terror. Nessa época, mais de 300 pessoas foram queimadas por heresia. Entre eles, estavam Thomas Cranmer (ex-Arcebispo da Cantuária), Nicholas Ridley (ex-Bispo de Londres) e Hugh Latimer (reformista).

Esses episódios puseram fim à popularidade de Maria junto aos ingleses e lhe valeram o apelido de Bloody Mary.

Filipe retornou à Inglaterra em 1557, após ter herdado a coroa da Espanha e o controle dos Países Baixos. Convenceu Maria entrar numa guerra contra a França que resultou na perda territórios que eram verdadeiras relíquias das possessões continentais inglesas.

Maria I morreu em novembro de 1558, sem deixar descendentes, e foi sucedida por sua irmã Isabel, que ela acreditava ter sido convertida ao catolicismo.

Seu corpo foi enterrado na Abadia de Westminster, onde mais tarde juntou-se o de Isabel, e na inscrição de seu túmulo lê-se:

" Parceiras no Trono e Sepultura, aqui descansam duas irmãs, Maria e Isabel, na esperança de uma ressurreição conjunta."

Dentre as várias obras inspiradas em sua vida está a ópera Maria Tudor, de Carlos Gomes, que gira em torno de um romance entre a rainha e um italiano, desprezado pela corte inglesa e descreve como ela esbanjava dinheiro, ignorava o povo, promovia festas e orgias, entre outras coisas.

Outra lenda que gira em torno do nome de Maria I é de que sua fama de sangrenta teria inspirado o nome do drink "Bloody Mary".

Entretanto, uma versão americana diz que o "Bloody Mary" nasceu quando um bartender resolveu misturar vodka com suco de tomate e pimenta Tobasco.

Seja qual for história verdadeira, fato é que esse drink é forte e uma verdadeira delicía. Indicado para a festa de qualquer malvada. Ah, sim! Nós ficamos com a versão de que ele foi inspirado em nossa "companheira" Maria I, da Inglaterra.

Forte e "sangrento" como ela!!!

Confira a receita.

Bloody Mary

Ingredientes:

- 1 dose de vodca
- 1/6 de copo de suco de tomate
- 1 pitada de sal para temperar
- molho inglês
- pimenta do reino
- gotas de limão

Modo de preparo:
Misturar todos os ingredientes e despejar num copo tipo "Long Dring".

Para saber mais sobre Maria I

Maria I no Wikipedia