Neide Maia Lopes - A Fera da Penha: Quando o desprezo vira crime

Neide Maia Lopes é um nome comum e talvez nem seja muito conhecido. Mas, a "alcunha" Fera da Penha traz à memória dos brasileiros um crime que abalou o Rio de Janeiro no início da década de 60.

Neide tinha 22 anos quando conheceu Antônio numa estação de trem. Durante três meses os dois mantiveram um relacionamento que teve um final trágico. Antônio era casado e tinha duas filhas, mas escondia isso da amante. Ao ser descoberto, Antônio recebeu um ultimado de Neide que lhe deu o prazo de uma semana para separar-se da mulher. Entretanto, ela logo percebeu que isso não aconteceria e, enfurecida, deu origem ao seu plano de vingança.

Ardilosa, inteligente e, acima de tudo sem suportar ser desprezada, Neide se aproximou da mulher de Antônio, fazendo-se de amiga para conquistar sua confiança. Um dia, ligou para a escola de Tânia, a filha de 4 anos de Antônio, passando-se pela mãe da garota e dizendo que precisaria que ela fosse para casa mais cedo e que, por isso, mandaria uma amiga buscar a garota.

Neide pegou Tânia na escola, passou cerca de seis horas com ela, comprou uma garrafa de álcool e levou a menina para um terreno baldio atrás de um matadouro na Penha (Rio de Janeiro) onde, além de dar um tiro na cabeça da criança, ainda ateou fogo ao seu corpo.

Pega pela polícia, Neide negou todas as acusações contra ela, durante as 12 horas de interrogatório. Entretanto, confessou o crime ao jornalista Saulo Gomes.

Ela foi condenada a 33 anos de cadeia, dos quais cumpriu 15, sendo beneficiada pela liberdade condicional.

Segundo o promotor da época, Neide quis "matar Antônio em vida" e, por isso assassinou sua filha. Além de "Fera da Penha", Neide também foi chamada de Frankenstein de saias, mulher-fera, besta-humana, dentre outras coisas.